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ICI e Unisinos anunciam pós-graduação em Oncologia Pediátrica durante simpósio sobre ensino e pesquisa

Evento reuniu especialistas para discutir formação profissional, comunicação científica, inteligência artificial e o caminho da pesquisa até novos tratamentos para o câncer infantojuvenil

17/09/2026 Redação Fonte: Duda Streb Comunicação
ICI e Unisinos anunciam pós-graduação em Oncologia Pediátrica durante simpósio sobre ensino e pesquisa
Foto: Dani Araujo

O Instituto do Câncer Infantil (ICI) e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) deram um novo passo para fortalecer a formação de profissionais na área de oncologia pediátrica. Durante o 1º Simpósio de Ensino e Pesquisa do Instituto do Câncer Infantil – Ciência que Transforma, realizado nesta terça-feira (15), em Porto Alegre, as instituições anunciaram a criação de uma pós-graduação em Oncologia Pediátrica, com inscrições previstas para os próximos meses e início das aulas em 2027.

A especialização será voltada a profissionais da área da saúde e nasce da união entre a experiência do ICI em assistência, ensino e pesquisa em oncologia pediátrica e a estrutura acadêmica da Unisinos. A proposta é ampliar o acesso à formação específica e qualificada para profissionais que atuam ou desejam atuar no atendimento de crianças e adolescentes com câncer.

"Essa expansão do ICI dá assistência para a pesquisa e fortalece a pós. O ICI há 35 anos investe em pesquisa científica, e agora coroamos com este belíssimo evento em parceria com a Unisinos", destacou Dr. Algemir Brunetto, diretor executivo e fundador do ICI. Segundo ele, a formação representa também uma possibilidade de ampliar o conhecimento sobre a complexidade do câncer infantojuvenil entre diferentes profissionais da saúde. "A ideia é possibilitar que esses profissionais que vão atender crianças na sua complexidade tenham toda a informação que precisam para sua formação. Entendemos que isso pode, inclusive, ser ampliado em médio prazo para o resto do Brasil."

Para Ana Karina da Cunha Fredel, coordenadora das residências médica e multiprofissionais e articuladora da educação continuada da área da saúde da Unisinos, a especialização é resultado direto da sinergia entre as duas instituições.

"Fizemos essa parceria e houve essa sinergia na construção desse curso de especialização integral em oncologia pediátrica, para todos os profissionais de saúde. A busca é promover uma formação específica e qualificada, unindo a experiência do ICI e da Unisinos", afirmou. As inscrições serão abertas em breve e as aulas estão previstas para começar em abril de 2027.

A programação do simpósio também colocou em debate um dos principais desafios da ciência: fazer com que o conhecimento produzido dentro das universidades e centros de pesquisa chegue à sociedade. Ao longo da tarde, especialistas discutiram o papel do ensino e da pesquisa, estratégias de comunicação científica, novas tecnologias aplicadas à saúde e a transformação de descobertas científicas em tratamentos.

"O papel das instituições na formação e no ensino é fundamental. Depois, precisamos falar sobre comunicação e ciência, que é um tema extremamente importante, especialmente com novos agentes e influenciadores falando sobre ciência", explicou Dr. André Brunetto, superintendente de Ensino e Pesquisa do ICI.

A programação contou ainda com uma palestra sobre inteligência artificial, wearables e outras tecnologias aplicadas à saúde, além de um painel dedicado às particularidades da biologia e do tratamento do câncer infantil. No encerramento, o debate "Da Bancada ao Paciente" apresentou as etapas que envolvem o desenvolvimento de um medicamento, desde a pesquisa básica até a chegada de uma nova terapia ao paciente.

Para André, aproximar diferentes públicos da ciência é uma das prioridades do ICI. "A ideia é educar as pessoas, trazer estudantes de graduação e pós-graduação que querem compreender melhor esse mundo da ciência. Como o ICI tem um grupo de professores que trabalha com oncologia pediátrica, queremos consolidar uma rede de ensino."

O instituto também lançou um novo perfil no Instagram dedicado à área de Ensino e Pesquisa, com a proposta de apresentar o cotidiano da ciência de maneira acessível e aproximar a produção científica da sociedade.

Ciência que precisa de tempo e de espaço

Um dos desafios apontados durante o encontro foi justamente comunicar descobertas que podem levar anos até se transformarem em uma nova possibilidade de tratamento. André cita como exemplo um estudo publicado neste ano que levou cerca de 15 anos para ser concluído.

"Temos o desafio, inclusive, do próprio espaço de mídia, de conseguir falar sobre uma grande descoberta que vai demorar para chegar a um paciente, mas que é um grande avanço e que vai mudar vidas", ressaltou.

A discussão ganha ainda mais relevância durante o Setembro Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil. Por ser uma doença menos frequente do que o câncer em adultos, o câncer infantil recebe menor atenção pública, o que reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre sinais, diagnóstico e tratamento.

Nesse cenário, o ICI também atua para acelerar o encaminhamento de casos suspeitos por meio do Tele Oncoped, serviço que permite que profissionais de saúde, pais e responsáveis tirem dúvidas com especialistas e recebam orientação sobre casos suspeitos. O contato é gratuito pelo 0800 511 2121.

"É um momento de conscientizar as pessoas. O câncer infantojuvenil é uma doença muito menos frequente que em adultos e, por isso, acaba tendo menos atenção. Precisamos falar sobre isso e antecipar o diagnóstico", destacou André.

Com 35 anos de atuação, o Instituto do Câncer Infantil mantém a pesquisa científica como um dos pilares de sua atuação e pretende tornar o simpósio um evento anual. A expectativa é que o encontro se consolide como um espaço permanente para discutir ciência, formação e inovação em oncologia pediátrica.

"A ideia é termos um grande evento todos os anos, que isso seja recorrente. O Rio Grande do Sul é uma referência em pesquisa de oncologia pediátrica, e queremos compartilhar esse conhecimento com o mundo", conclui André.

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